MÉDICA UROLOGISTA?

“Como posso encontrar uma médica urologista?” - Essa é uma questão freqüente enviada pelos e-mails que recebo através de pesquisa pela net.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia – seccional SP, de 3700 profissionais da área, só encontramos 1% de urologistas mulheres no Brasil. Já há 10 anos, de acordo com uma pesquisa realizada pela Dra. Beatriz Cabral, urologista que atua mais nas áreas feminina e pediátrica, com as urologistas da época, sessenta por cento comentavam sobre o preconceito dos próprios colegas em contratar mulheres para essa especialidade.

 Formada há trinta anos, a minha formação foi em Urologia Pediátrica, mas sempre fazia as cirurgias das crianças e dos adultos da clínica com outro urologista, o que fez com que me mantivesse em dia com a especialidade. Há 10 anos fui convocada pela chefia do meu serviço público, para trabalhar como urologista no Pronto Socorro Municipal de São Caetano do Sul. Aceitei o desafio, mas fui fazer uma reciclagem, ficando por dois anos (de 1997 a 1999) no serviço de urologia da Faculdade de Medicina do ABC.

 Nessa época, passei a atender os adultos que procuravam o meu consultório, já que a demanda era bem grande. Daí em diante, o crescimento das consultas foi muito grande, sendo que o paciente escolhia com quem gostaria de  ser atendido, não lhe sendo imposto uma médica, como ocorreria em um serviço público.

 De acordo com a Dra. Karin Anzolch, única médica urologista de Porto Alegre, existem três motivos para que os homens acabem optando por uma médica: 1- experiências negativas com profissionais homens; 2- acham que a médica é mais atenciosa; e 3- vergonha de serem tocados nos genitais e fazer o toque retal por outro homem, além da eterna comparação com tamanho dos genitais! Também penso desta maneira após todos estes anos.

 Nunca sofri discriminação pelos pacientes, que atualmente são, setenta por cento deles, do sexo masculino. O preconceito ocorre dos próprios colegas da profissão. Até hoje, os congressos de urologia são compostos em sua esmagadora maioria por homens, mas faço questão de sentar na primeira fila. O olhar deles é sempre de questionamento, ou então sou ignorada. Mesmo assim, participo de quase todas as reuniões e jantares da especialidade que acontecem no ABC, e sou muito respeitada pelos colegas que aprenderam a me aceitar.

 Meu prazer é estar sempre estudando e ensinando aos novos profissionais, que precisam aprender a ouvir e a pensarem no homem como um ser inteiro, com corpo e alma, sem dividi-lo em pedaços. Devemos pensar no homem que tem uma afecção urológica e não na afecção urológica do homem.                   
 
Sylvia Faria Marzano