A PAIXÃO E SEUS MOVIMENTOS

A PAIXÃO E SEUS MOVIMENTOS,

por Dra. Maria Alves de Toledo Bruns

Paixão – fenômeno conhecido por todosnós.A adolescência materializa e seu aparecimento; e a morte o seu fim.Com isto, estou dizendo que o ato de cativar, atrair, apaixonar, inspirar amor só cessa com a morte. Nessa perspectiva, o desejo não tem idade; ou tem a idade do momento em que a paixão ocorrer. Não raro ficamos sabemos que homens e mulheres de todas as idades e preferências sexuais modificam suas vidas ao se lançarem ao forte movimento da paixão.

Os apaixonados se percebem possuídos por uma emoção, uma força nascente diante do objeto de desejo que os mobiliza a um renascimento, uma redescoberta física, sexual, emocional e psíquica.

É que a paixão tende a superar a diversidade existente entre as duas pessoas, razão de ser do próprio
desejo. A pessoa apaixonada não possui a si mesma, ao contrário, se permite ser possuída, lançada fora de si pelo êxtase da paixão. Imantada por suas próprias fantasias atribui à pessoa amada qualidade singular da perfeição (ausência de defeitos), tal é o poder da idealização. Nesta fusão os apaixonados se completame, porinstantes, experimentam a eternidade.

São momentos de beleza incontestável.O êxtase e a magia se presentificam. Outro aspecto interessante da paixão é a percepção alterada da duração do tempo: as horas passam em minutos e os minutos estendem-se como se fossem horas.O encontro amoroso ocorre quando os dois conseguem operacionalizar o tempo.

Há, portanto, uma preparação criativa, uma predisposição para viver o extraordinário. Nesta fantástica e instável caminhada existencial, o movimento da paixão mostra-se sempre paradoxal: não oferece certezas e nem tampouco garantia de estabilidade e durabilidade. Ao contrário tende a sucumbir à medida que o colorido das idealizações cede espaço para o reconhecimento das subjetividades e dos limites do outro. No entanto, o desencantamento da fantasiada completude amorosa espelha possibilidades para a próxima relação amorosa ser edificada com base nas vicissitudes de nossa própria incompletude e subjetividade.

Relações menos idealizadas tendem a ser mais prazerosas e estáveis, desde que, regadas com carinho, zelo e elegância, isto sem falar das pitadas de erotismo e criatividade.

Maria Alves de Toledo Bruns, líder do Grupo de Pesquisa Sexualidade Vida, autora do livro Sexualidade de Cegos 2008 EditoraÁtomo.
Homepage: www.sexualidadevida.psc.br.
email: toledobruns@uol.com.br