Viagra: 10 anos de auxílio à vida sexual masculina

Viagra: 10 anos de auxílio à vida sexual masculina
São José do Rio Preto, 15 de dezembro de 2008
  Arte Diarioweb  

Ariana Pereira

02:10 - Há dez anos no mercado, uma pequena pílula azul já causou revoluções consideráveis na vida sexual de boa parte da população mundial. O Citrato de Sidenafil, mais conhecido como Viagra, proporcionou não apenas satisfação sexual masculina e também feminina, como levou mais homens com disfunção erétil aos consultórios de especialistas a fim de buscar tratamento. O Viagra possibilitou o aumento de pesquisas e trabalhos na área da sexualidade humana e derrubou preconceitos ou pensamentos equivocados a respeito do universo masculino e o sexo. O urologista Eduardo Lopes afirma que o remédio foi e é um sucesso de público e de renda por todos esses motivos. “Ele mudou a vida sexual do homem. Antes o homem pensava que era sexo forte. Hoje ele é. Antes pensava que podia ter ereção a qualquer hora, com qualquer mulher, em qualquer lugar. Hoje, ele tem. Estimulou os estudos permitindo que grandes empresas farmacêuticas gastassem dinheiro em pesquisas produzindo outros medicamentos com menos efeitos colaterais e de duração maior como o Taladafil, Vardenafil e outros.”

O especialista compara o Viagra à pílula anticoncepcional. Para Lopes, o medicamento garante liberdade e controle total sobre a sexualidade, para o público masculino, excluindo apenas os casos mais graves que continuam sendo tratados com drogas que são injetadas diretamente no pênis como o Alprostadil e as próteses penianas, o último recurso usado para restaurar a capacidade erétil masculina. Apesar de ser um medicamento utilizado pelo homem, a pílula azul é também uma conquista feminina, na opinião da urologista e terapeuta sexual Sylvia Faria Marzano. “Pode-se comemorar uma grande conquista do homem e /ou da mulher em poder voltar a encarar uma situação como a disfunção erétil, como reversível e melhorar sua qualidade de vida.” O andrologista Carlos Araújo afirma que, com base no cotidiano clínico, não se falava sobre problemas de ereção tanto quanto depois que o Viagra foi lançado. “Eu acho importante promover essa conscientização de que o problema existe e pode ser resolvido. O medicamento mostrou à sociedade que muitos homens têm problemas de ereção e nem por isso precisam fechar-se em si.”

A droga é uma facilitadora da ereção. Age não permitindo que a enzima 5-fosfodiesterase atrapalhe a ação do óxido nítrico, deixando-o atuar promovendo a dilatação dos corpos cavernosos, ou seja, a ereção. Araújo frisa, no entanto, que é preciso consumir o medicamento com indicação médica para evitar que a possível solução para uma vida sexual insatisfatória torne-se um problema ainda maior. “Pacientes que tomam medicamentos com nitrato para o coração não devem consumir o Viagra. Existem alguns pacientes que passam mal e podem ter reações como gastrite ou rosto avermelhado. Mas para regular os efeitos colaterais é só acertar a dose. E é indispensável a prescrição médica”, explica o andrologista.

Já a associação com álcool pode ser muito prejudicial, segundo Lopes. Ele afirma que com álcool - que é também um vasodilatador, assim como o Viagra - pode produzir uma hipotensão postural com tonturas e desmaios. Em alguns casos o paciente pode sofrer um trauma crâneo-encefálico ao cair e bater a cabeça; ou até mesmo, um infarto agudo do miocárdio caso exista uma cardiopatia que implique em limitação da atividade física. O paciente ao fazer um exercício (sexo) maior do que a sua capacidade cardíaca suporta, pode sofrer um infarto. A urologista Sylvia alerta para que o uso do medicamento seja feito apenas por aqueles que têm algum grau de disfunção e não de maneira aleatória ou para potencializar uma ereção.





Tratar a origem
Nem todas as disfunções sexuais masculinas, no entanto, são tratáveis com o Viagra. O medicamento não é o único tratamento disponível para auxiliar os homens que enfrentam problemas com a vida sexual. O urologista português José Pereira da Silva afirma que a impotência é um sintoma que pode apresentar-se só ou acompanhado de outros, indicando que a pessoa não está saudável. “As principais causas da impotência podem ser diabetes, doenças cardiovasculares e metabólicas, obesidade, perturbações psicológicas, mesmo aquelas de aparecimento súbito causado por agente externo como um traumatismo.” Recursos como o Viagra ou similares, injeções no pênis, cirurgia vascular, com ou sem recurso a microcirurgia e o implante de próteses penianas são formas de tratar a disfunção sexual exclusivamente orientadas para a superação dos sintomas. Essa forma é chamada terapêutica sintomática, de acordo com Silva.

Por outro lado, há maneiras de tratar os problemas sexuais orientadas para a regeneração celular tecidual, orgânica e sistêmica: a terapêutica regenerativa, que pretende eliminar os fatores prejudiciais por meio de terapias com radiação, laser de baixa intensidade e modulação hormonal. As escolhas variam de acordo com as capacidades, competências e orientação do clínico escolhido, bem como com as preferências e capacidades dos pacientes. Muito freqüentemente é possível fazer retroceder o processo para a situação saudável ou para uma fase intermediária onde não se manifestem os sintomas. Só raramente se justifica tratar apenas o sintoma, embora os recursos terapêuticos para estes possam, e por vezes devam, ser utilizados juntamente com o tratamento regenerativo da situação geradora desses sintomas. É preciso saber, no entanto, que o desaparecimento dos sintomas será transitório se o paciente não continuar a promover constantemente a própria saúde”, explica o urologista.

Nos casos em que a disfunção erétil tem causas psicológicas, a urologista e sexóloga Sylvia Faria Marzano assegura que o tratamento com Viagra, acompanhado de uma terapia pode solucionar o problema. Ela afirma que para aqueles pacientes que apresentam disfunção erétil atrelada a causas psicológicas em alto grau de ansiedade, o remédio pode não ter o efeito desejado. Ainda assim, o Viagra pode sim ser usado com acompanhamento do terapeuta sexual. “Ás vezes, juntamente com a terapia sexual, fazemos o uso da medicação para que o paciente sinta-se mais confiante e leve adiante o tratamento. Todos devem lembrar, no entanto, que o medicamento não substitui a parceria. O importante é ter um relacionamento a dois bem equilibrado, respeitando o tempo de cada um e buscando ajuda quando algo não estiver bem. Uma sexualidade bem usada é uma certeza de qualidade de vida”, finaliza a urologista.
 
Fonte: DiarioWeb